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A Folha de São Paulo trouxe uma matéria no domingo passado sobre uma de nossas atitudes no comportamento de pais que é muito comum. Trata-se de como somos incoerentes ao solicitarmos de nossos filhos comportamentos que nós mesmos não adotamos.
Exigimos respeito, mas não os respeitamos. Pedimos que não se atrasem e não somos pontuais. Queremos que sejam organizados e somos desorganizados. Entre o discurso e a ação há uma longa distância. Porém quando o assunto é educação, o exemplo vale muito mais do que as palavras, que são esquecidas com o tempo. A vivência é que conta.
Se quisermos filhos solidários teremos que atuar de forma solidária. Se quisermos que nossos filhos leiam e sejam bem informados, teremos que ter o hábito de ler. Se não quisermos que nossos filhos partam para brigas feias, teremos que ter o hábito de dialogar com nossos companheiros quando há divergências, ao invés de estar sempre gritando ou xingando.
Na função de educadores que somos dos nossos filhos temos que ter uma autocrítica amadurecida sobre nós mesmos. Isso não significa que tenhamos de ser perfeitos, mesmo porque aqueles que atuam como perfeccionistas na vida, além de fazerem mal a si próprios inconscientemente passam a ser exemplos inatingíveis, com atitudes que desmerecem a potencialidade dos outros.
Pais perfeccionistas não conseguem fazer um elogio sem acrescentar um “mas “em suas declarações. Quando o filho mostra suas notas recuperadas eles aplaudem, mas realçam que a nota de português ainda está ruim. Todo o esforço do garoto acaba sendo anulado por esse “mas”.
Agora, voltando à postura incoerente, o nosso desconfiômetro tem que estar ligado para sermos humildes o suficiente e reconhecermos nossas falhas ou nossos pedidos inconsistentes. E muitas vezes o termômetro sobre esse fenômeno é o próprio filho que aponta nossas incoerências quando se sente totalmente injustiçado.
Creio que como pais, temos que estar abertos para passar por experiências inéditas, para as quais não estaremos preparados muita vezes. E reconhecer-se como aprendiz constante desse papel materno ou paterno pode nos ajudar a sermos mais cautelosos em nossas atitudes e muito mais eficientes para atingirmos nossas metas na educação dos filhos.
Não é errado não saber. É nocivo acreditar que sempre se tem a melhor resposta. Vá em busca de alternativas e você poderá ser mais feliz no seu caminho ao longo do desenvolvimento dos filhos.
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