| Visões de mundo geram realidades diferentes |
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Quando o assunto é visão de mundo, ou seja, como cada um de nós observa e define a realidade, pais e filhos podem viver a quilômetros de distância, mesmo morando juntos, não é mesmo?   Contribui para isso o fato incontestável de que cada geração nasce num perÃodo histórico e foram seus valores a partir das caracterÃsticas de sua época. Ao considerarmos que há entre pais e filhos uma diferença de idade, que pode variar de 15 à 40 anos, ou mais, esse espaço de tempo é suficiente para criar nÃveis de compreensão bem distintos. Quando somos capazes de aceitar esse dado de realidade, reduzimos bastante nossa angústia, caso não sejamos felizes em dialogar com nossos filhos na mesma sintonia de idéias. Deixamos de ter expectativas de que pensem como nós, que tenham atitudes a partir dos nossos princÃpios ou que concordem com o que acreditamos. Será?  Nem sempre é assim. Muitas vezes temos o incorrigÃvel hábito de querer convencer os filhos de que nossa visão de mundo é a mais correta. Insistimos que adotem nossa sistemática em vários campos da vida, por considerarmos que somos bastante experientes para orientá-los, e somos mesmo, mas essa experiência também tem seus limites. E aÃ, podemos nos tornar inconvenientes por não percebermos que cresceram e que ainda são tratados como crianças que dependentes de conselhos. Eles não se sentem emancipados e não conseguem a confirmação que precisam, de serem bons o bastante, para tocarem a própria vida. É uma situação penosa, porque nós estacionamos em como somos capazes de olhar para eles, e eles também estacionam no modo de se relacionarem com a gente.  Mesmo sem desejar, contribuÃmos para uma parada evolutiva do sistema familiar. A comunicação pode ficar escassa, por falta de confiança de nossa parte, no que os filhos são capazes de construir a partir de seus próprios parâmetros. Graças a Deus, a vida é mudança constante, e temos chance de mudar. Podemos desenvolver uma paternidade e maternidade que evolui com os filhos crescendo, e cuja roupagem acompanha o progresso que eles fazem. Dessa forma, também estaremos reconhecendo a nós mesmos no processo educativo. Se ele tirarem nota cinco, a nossa também será essa. Se ganharem dez na vida, nossa premiação será a mesma.  Se o amor nos fizer confiantes, o modo como os filhos olham o mundo não precisará gerar distâncias intransponÃveis, causadas por brigas, rigidez e radicalismo. O amor é flexÃvel, aguarda pacientemente a evolução do outro e nos leva a evoluir junto. Somos pais, mas humanos. Não temos as melhores respostas em todas as questões da vida. Também podemos aprender com nossos filhos. E que bom que assim seja, para nos nutrirmos neles. Amém.
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