|
Falar de verdades é admitir que há convicções e crenças, com as quais conduzimos nossa ação para um caminho especialmente particular. São algumas verdades absolutas, inquestionáveis, que nos dão parâmetros para educar os filhos, para ensinar-lhes concepções de vida e proporcionar-lhes um “roteiro” norteador de suas condutas.
Diante delas, nos vemos protegidos e fortalecidos por um rol de normas que garantem uma certa segurança, necessária para levantarmos todas as manhãs e fazermos aquilo que parece dar sentido à nossa história. Para os filhos, essas verdades absolutas criam um alicerce estabilizador das emoções e instintos.
Sobretudo as crianças, que ainda estão aprendendo a se “enquadrar” em algum rol de normas, para elas, saber o que os pais acreditam ser certo ou errado, discrimina com maior clareza o que podem e o que não devem fazer. Por isso, o tema “limites educacionais” é tão pertinente e merece realmente um preparo dos pais para poderem dizer aos filhos quais devem ser suas escolhas.
Isso não é autoritário, é protetor. Uma criança em tenra idade, não possui maturidade suficiente para fazer suas próprias escolhas, sem prejudicar a si mesma. Se a ela é dado o livre arbítrio de escolher se quer dormir cedo e acordar descansada para ir a escola, ou se irá dormir tarde e acordar cansada para estudar, condenada estará a fazer uma escolha sem experiência. Não há ainda aptidão para discernir sobre as conseqüências, e condená-la a aprender com o próprio “erro” é contribuir para sua insegurança.
Por outro lado, quando adultos falam de verdades, mais relativas elas se tornam, porque cada um construiu para si uma forma de perceber a realidade. Assim, no campo das relações conjugais, se houver flexibilidade entre os parceiros para compreensão das diferentes verdades, o diálogo se fará mais construtivo, sem imposições ou desqualificações dessas mesmas verdades.
Será preciso equilíbrio cada vez maior para as decisões conjuntas, de forma que uma terceira verdade seja construída. Se isso for impossível, o veredito será desalentador. Razões absolutas não favorecem a felicidade do casal.
|