Pais e filhos, uma jornada de crescimento PDF Imprimir E-mail
Uma de nossas atribuições como pais é desempenhar o papel de autoridade, pontuando aos filhos o que consideramos necessário ser realizado, como fazê-lo e quando. Temos o direito e o dever de colocar limites e de ensinar valores para a vida, especialmente quando eles são crianças e estão aprendendo as regras de convivência para estarem inseridos no mundo. Nessa trajetória, chega a hora em que os filhos passarão a querer maior liberdade para assumir o controle de suas ações, sem nossa interferência direta. E nem sempre estaremos preparados para essa mudança, reduzindo nossa tutela e deixando-os com o livre arbítrio para tomarem suas decisões. Mas não há saída. Crescer implica assumir as rédeas da própria vida, enfrentando escolhas próprias, ajustando o leme quando necessário, e aceitando os contratempos. E embora a gente se empenhe em tornar os filhos competentes para essa realidade, nem sempre conseguimos confiar no nosso próprio talento. E aí, na dúvida, a gente continua, de uma forma não declarada, fazendo um esforço contínuo para controlar os passos deles. E podemos nos tornar impertinentes, sem perceber, exagerando na dose de atenção, subestimando a capacidade de nossos filhos resolverem suas dificuldades, invadindo terrenos da vida pessoal deles, sem sermos convidados para entrar, enfim, atuando como pais verdadeiramente “chatos”, que tratam os filhos como eternas crianças.  Com a adoção desse comportamento, estamos abrindo pelo menos duas possibilidades: uma, de que os filhos se revoltem e vivam em constante luta para que possamos reconhecer a capacidade de serem autônomos; e outra, de que se sintam livres do compromisso de crescer, adotando atitudes infantis, inseguros quanto à própria competência.
Essa questão pede nossa reflexão diária, sobre a capacidade que estamos desenvolvendo para confiar nos filhos e evoluir com eles em cada fase do seu crescimento. Afinal, ser adulto não dispensa a necessidade de aprender. E nossos filhos nos alertam sobre quanto ainda temos a descobrir. Isso é um privilégio, não é mesmo?

 
Terapeuta Angela Martins
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