Pais e filhos, um diálogo de proteção e liberdade PDF Imprimir E-mail

Participei esta semana de um programa sobre juventude e família na TV Aparecida, no qual um juiz de Fernandópolis, no Mato Grosso, apresentava os resultados que sua cidade conseguiu após implantar o “toque de recolher” para os jovens de 14 a 18 anos, que não podem ficar nas ruas à noite, após as 23 horas. Com essa decisão, o juiz conseguiu ajudar os pais a protegerem seus filhos de situações graves que envolvem violência, drogas e acidentes no trânsito. Houve uma redução expressiva das ocorrências policiais e até adaptações à medida. Um empresário da noite lançou uma balada com horário alternativo, das 19 às 23 horas.

Essa decisão gerou críticas por parte de alguns, por tratar-se de uma imposição que impede a liberdade de ir e vir. Contudo, quando a sociedade é incapaz de proporcionar relações seguras, especialmente para crianças e jovens, é injusto que esse grupo sofra experiências com as quais não saiba lidar, e fique desprotegido dos perigos, muitos deles, geradores de graves riscos.

Esses jovens de Fernandópolis, por conta dessa privação da liberdade noturna estão aprendendo um jeito novo de se divertir com os amigos, voltando para suas casas, onde podem continuar em grupos, conversando, ouvindo música ou em outras atividades, com o acompanhamento dos pais, à distância.

Aliás, quando nós abrimos nossa casa para os filhos trazerem seus amigos, transmitimos uma abertura positiva. Essa receptividade pode definir uma parceria saudável nesse processo de liberação dos jovens para o seu “auto-cuidado”.

Nesse momento, a aprendizagem em como fazer uso da liberdade é um exercício em que pais e filhos estabelecem um ajuste fino entre as interferências que ainda devem ser responsabilidade dos adultos e as iniciativas que já podem ser assumidas pelos jovens, de forma mais independente.  É possível que nessa trajetória ocorram conflitos; que a gente perceba que os filhos ainda não estão maduros para certas decisões; e também que eles se vejam tratados sem o devido respeito à sua maturidade.  Essas são situações naturais que aos poucos entram em um equilíbrio, sobretudo quando a família aceita dialogar sobre suas dificuldades, e parte do pressuposto que não há culpados, mas sim, pessoas com diferentes pontos de vista, que ocupam posições distintas e podem entrar em desajustes momentâneos. Ao cuidarmos de aparar as arestas vamos construindo uma relação afetiva intensa, que gera o alicerce seguro para as crises mais agudas, quando todos se dispõem a união.
 
Terapeuta Angela Martins
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