Nossos pontos de vista sobre "problemas" PDF Imprimir E-mail


O entusiasmo, a motivação são qualidades que todos nós gostaríamos de ter em abundância, para que nossas metas e sonhos fossem regados por luz permanente para nossa realização pessoal. Mas bem sabemos, que os ciclos emocionais se fazem presentes, alterando nosso estado de espírito e humor, em decorrência das situações externas vividas no dia-a-dia. Com nossos filhos essas oscilações também podem ocorrer, por mais que nosso julgamento nos leve a acreditar que a vida deles não tem problemas.

Adultos, jovens e crianças têm diferença de maturidade para lidar com os aspectos inerentes ao dia-a-dia, portanto, possuem valores diversos para definir o que é problema. Nós adultos sabemos disso, mas quando vivemos frustrações sobre as reações de nossos filhos, reagimos sem lembrar dessa condição do desenvolvimento humano. Por exemplo, o filho não querer tomar banho é um grande problema para as mães, sobretudo quando a criança continua irredutível e manhosa. Já para essa criança, não há nenhum problema nesse fato, porque ela não incorporou o valor da higiene, conforme sua mãe já aprendeu. Para ela, o real problema é convencer a mãe de não insistir para que entre no chuveiro. Ou seja, a mesma questão, que é “tomar banho”, ganha enfoques divergentes sobre qual é o verdadeiro problema. Claro que nós pais, por sermos educadores para a vida, temos que encontrar um caminho criativo para os filhos tomarem banho, até que eles assumam essa atividade com autonomia. Os mais corajosos, até aceitam que os filhos não tomem banho por muitos dias, para que eles próprios enfrentem situações desconfortáveis e notem a necessidade de se banharem. As estratégias ficam por conta de cada família.

 

De qualquer modo, a reflexão proposta aqui é de observarmos que o ponto de vista sobre o que é um “problema” nem sempre está alinhado entre pais e filhos, ou mesmo, entre os parceiros de uma relação amorosa. Na convivência conjugal, os casais enfrentam esse dilema em situações bem comuns do dia-a-dia. Se um gosta de ter a casa arrumada e o outro não se importa, ambos terão uma dificuldade para cuidar. Pode ocorrer um desgaste inicial, ou podem caminhar rapidamente para a conciliação. Tudo depende do grau de disponibilidade que cada parceiro possui para buscar um acordo, abrir mão de um posicionamento radical, para ser mais flexível. Quando um dos dois é irredutível, esse problema, aparentemente pequeno, pode gerar outras implicações maiores, envolvendo o casal em uma disputa de poder, em uma discórdia que pode invadir outros campos da relação, como a área financeira, ou a sexual, e até mesmo a convivência com as famílias de origem de cada parceiro. Elas podem ser induzidas nesse processo, a defender os próprios filhos, contra os genros e noras, e tumultuar ainda mais a resolução do conflito. Melhor se absterem, ou compartilharem suas idéias, desde que sejam para propiciar um novo olhar que possa ajudar o casal a por fim ao problema.

 

 
Terapeuta Angela Martins
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