Filhos são Filhos, Sempre PDF Imprimir E-mail

Você já imaginou um filho se sentir um objeto descartável, como uma mercadoria que passa a servir de barganha no jogo das vinganças disputado pelos pais, quando se separam e se armam por não conseguirem superar a dor, a raiva ou qualquer outro sentimento que surja em decorrência do rompimento do vínculo conjugal?

 

 

Não é nada fácil ficar nesse lugar, não é mesmo? Há filhos que são retalhados após a separação, por atitudes irracionais dos adultos, que cortam as regalias até então oferecidas; fazem sermões agressivos falando mal dos ex-parceiros; ou abandonam suas responsabilidades, como se a paternidade ou a maternidade terminassem quando há o rompimento no casal.

 

Muitas vezes, a sensação de liberdade que os pais experimentam nesse momento e o desejo de recuperarem o tempo perdido, também contam para que tomem atitudes imaturas, priorizando sua individualidade em detrimento da convivência com os filhos, que podem experimentar uma sensação de desamor.

 

Há adultos, que ao se sentirem maltratados pelo término da relação conjugal, juram vingança aos ex-parceiros declarando que farão os filhos odiá-los.; e em nome dessa meta ficam cegos, completamente, a todos os prejuízos que causam aos próprios filhos, totalmente indefesos a essa situação. É quando observamos a triangulação se formar na família, na qual o filho se transforma em uma arma para os pais se digladiarem, com total desequilíbrio. Nessa posição no jogo familiar, o filho ou a filha acabam por formar uma aliança com a mãe ou com o pai, pela pressão que sentem, e por adotarem como referência de quem está certo o que um ou outro diz, muito embora não sejam capazes de uma avaliação imparcial. O julgamento de quem é acusado pelas falhas na relação e na educação, normalmente está contaminado pelas observações daquele pai que quer se defender e culpar o companheiro pelas dificuldades na pós-separação.

 

Na posição de defensores, os filhos viram vítimas, e ficam enfraquecidos para um discernimento adequado. Se acreditavam que tinham o amor dos pais antes da separação, e passam a ouvir críticas, começam a questionar esse amor e podem ficar muito perdidos.

 

Enfim, a separação pode ser inevitável. Contudo é fundamental que não vire um instrumento a serviço do nosso egoísmo adulto. Por mais que os sentimentos advindos do divórcio sejam pouco apaziguadores e nem sempre sejamos capazes de manter o equilíbrio emocional, na função paterna e materna temos que ter um cuidado  especial, e se for necessário, buscar ajuda para que nosso desabafo não seja injusto com aqueles que fazem parte da história, mas são inocentes . 

 
Terapeuta Angela Martins
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