Cuidado para não virar operador de telemarketing PDF Imprimir E-mail
Estou lendo um livro, e me deparei com uma colocação da autora, que é muito interessante. Ela comparava os nossos pensamentos negativos a “operadores de telemarketing”, que nos procuram nos momentos mais inoportunos.

É incrível como essa idéia se encaixa em algumas atitudes da nossa maternidade. Por exemplo, os filhos chegam de algum passeio, entusiasmados pra contar as novidades, e nós só conseguimos checar se tiveram um bom comportamento na casa dos pais dos amigos, se agradeceram, se se alimentaram direito, enfim... perguntas básicas que saem do nosso script de mães chatas, impertinentes, quando somos incapazes de desligar o piloto automático do compromisso de ensinar, para apenas relaxar e viver aquele momento presente, que não irá  voltar mais. A gente perde o “timing” e o tempo passa. É inevitável. O bom é que há sempre a oportunidade de fazermos diferente. Basta não nos crucificarmos e desenvolvermos a autocrítica, a capacidade de auto-avaliação amorosa, que observa, perdoa e encoraja. Só assim não ficamos paralisados. Já, com a crucificação perdemos o movimento. Ela corrói qualquer crédito que possamos oferecer a nós mesmos. Taxamos nossas atitudes de erradas, e o que é pior, acabamos por acreditar que não há nada a fazer. E será que fazemos o mesmo com nossos filhos? É possível. É  capaz que eles aprendam a se crucificar, ao invés de desenvolverem a autocrítica.

Quando fazemos afirmações que realçam os erros deles, mesmo que tenhamos a melhor das boas intenções de que aprendam o que consideramos que é correto, vale a pena investir num tom afetivo. A autoridade pode ser afetiva. Não quer dizer melosa, falsa. Mas confiante e estimuladora. Ou seja, que abre portas, não que as fecha. É uma autoridade que sai mais do coração, e usa a mente como instrumento para a comunicação, e não como depositária de conceitos aprendidos, que não são muito úteis, e podem  contagiar a confiança, um dos pilares da relação pais-filhos. É por meio dessa confiança que vamos estimular o sentimento de amor próprio, de valorização, sem o qual, os filhos se perdem de si mesmos. Um exercício de observação que podemos fazer neste início de ano, nas férias dos nossos filhos, é sentirmos a diferença que produzimos quando temos um tom agressivo no diálogo com eles, e o que ocorre quando nossa voz é ponderada, firme, e revela os nossos sentimentos e pensamentos, sem perdermos o equilíbrio.

 
Terapeuta Angela Martins
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