| Adoção Amorosa é Acolher por Inteiro |
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É ótimo quando a gente tem conhecimento de notícias boas como ocorre agora com a nova lei da adoção. Ela traz condições mais favoráveis às crianças e adolescentes que merecem toda atenção da sociedade, por serem vítimas de situações das quais não puderam se defender, nem exercer seus direitos de pertencer a uma família. Um primeiro desafio para a justiça é que as crianças abrigadas deverão passar por avaliações a cada seis meses e só poderão viver nos abrigos por dois anos. Ou seja, essa condição deverá agilizar as ações das instituições envolvidas nessa questão para o processo de adoção.
Outro aspecto significativo no avanço ao tratamento legal desse assunto é que “irmãos”, caso adotados por famílias diferentes, precisam ter o comprometimento dos pais adotivos de que manterão o vínculo, mesmo morando em casas separadas. E outro importante fator de mudança é que as crianças serão ouvidas pela justiça depois de estarem com a família substituta, e poderão ter acesso a informações sobre os pais biológicos ao completarem 18 anos.
Sem dúvida a efetivação dessas medidas amplia a proteção daqueles que estão à espera da adoção, contudo outra questão que inicialmente não compete à justiça resolver é a postura que nós adultos assumimos ao sermos candidatos a pais adotivos. O que as estatísticas mostram é um quadro de alta demanda de interessados e de crianças, mas que não conduz a redução de crianças abrigadas porque ainda prevalece uma visão baseada em escolhas de perfis, idades, raças ou cor da pele, por quem vai adotar. No mês passado em Minas, mais um caso de rejeição foi julgado, no qual os pais adotivos resolveram devolver a criança antes que a adoção fosse concretizada; situação que traz a tona essa dinâmica perversa de afeto e abandono, que marca profundamente a condição emocional.
Após viver oito meses com os pais adotivos que mudaram seu nome, a criança foi devolvida, sem que se saibam quais as razões. A justiça condenou o casal a pagar pensão alimentícia à garota, que voltou para o abrigo e continua a espera de uma nova oportunidade de viver feliz numa família que a aceite e a respeite, oferecendo amor, carinho e educação.
A palavra adotar traz em si diversos significados, como decidir-se por, escolher, preferir, que podem gerar esse tipo de adoção traumática; já os significados de assumir, acolher, aprovar, reconhecer, geram maior disponibilidade e promovem maior abertura para o novo, o diferente, ou mesmo, o difícil. É algo para todos nós aprendermos, para o amadurecimento da alma. E um valioso presente para todos aqueles que se envolvem no ato da adoção amorosa.
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