A individualidade no meio social PDF Imprimir E-mail

Li esta frase em algum lugar: “Felicidade é uma atitude que tomo todo dia ao acordar”. Vale para nós adultos e para nossos filhos, que estão formando os valores com os quais seguirão dia a dia construindo a história de suas vidas.
É bom que estejamos preparados para mostrar a eles que construir valores tem a ver com decidir como viver, com quem viver e para que viver.

Esta última semana a história da jovem que foi à faculdade com um vestido curto, chegou a ser expulsa e depois pôde retornar às aulas, mostrou um cenário que envolveu aspectos relacionados a direitos, deveres, respeito e desrespeito, agressividade e aceitação. A jovem participou do programa “Altas Horas” e defendeu seu direito de ir à faculdade vestida como se sente bem. Também encontrou uma platéia jovem questionadora e crítica, dizendo que não estava adequadamente vestida para um local de estudo. Assim, o assunto sobre o que vestir, e como ser tratada pelos colegas trouxe o tema respeito à tona, com todas as contradições que pode apresentar. Essa jovem defendia que ser respeitada era seu direito, independente da forma como estivesse vestida. A platéia jovem do “Altas Horas” considerou que ela própria não se deu ao respeito, por estar vestida como se fosse para uma balada, conforme  disseram. Enfim, quando o assunto é respeito, há visões que podem ser divergentes. Contudo, esse episódio revela a sensível tarefa que nós adultos temos quando estamos na função paterna e materna, e precisamos ajudar nossos filhos a construírem um comportamento compatível com as regras sociais, que possa protegê-los de situações desconfortáveis, sem, no entanto, privá-los de sua individualidade. Atingir o equilíbrio entre esses dois universos nem sempre é fácil. Em nome do social é possível que os filhos tenham que evitar uma exposição mais espontânea na forma de se vestir. Afinal, no social o que se pretende é colocar normas para a convivência pública. Podemos questionar essas normas, tentar mudá-las, aprimorá-las, mas o que está em questão é o bem comum, e não o nosso bem estar pessoal, exclusivamente. Esse aprendizado fica expressivo na infância, quando nossos filhos passam a conviver em grupo, na escola. Fora de casa, eles vão aprender que sua individualidade entrará em contato com a individualidade do coleguinha, e para que ambos sejam amigos terão que encontrar um caminho de consenso e de respeito às diferenças. E assim, eles podem aprender que a cooperação mútua é o jeito mais amistoso para essa convivência social. Quando ensinamos isso em nossos lares, mais preparados eles ficam para cooperarem.

Quanto ao vestuário, que gerou os problemas com a jovem e seus colegas de faculdade, são peças que expressam algo sobre nós e geram uma leitura em cada público que nos observa. Não há neutralidade absoluta nessa comunicação visual. Portanto, na função de pais, nossa tarefa é dar o livre arbítrio aos filhos, para que façam suas escolhas, ensinando também que são responsáveis pelo bem comum no meio social.
 
Terapeuta Angela Martins
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