Pais e filhos tecem juntos a teia familiar PDF Imprimir E-mail
Talvez uma das coisas mais tocantes de se ver entre pessoas que se amam e vivem laços familiares é a impotência de comunicarem esse amor.

Às vezes, mesmo sem querer, a relação de difícil aproximação amorosa encontra base num sistema de desaprovação. Os pais desaprovam os filhos, que também desaprovam os irmãos, e em cadeia o círculo de desaprovação se forma, gerando sentimentos de inadequação, solidão e tristeza, entre outros.


Outra questão que pode gerar angústia é a paralisação do sistema familiar, quando há falta de sintonia entre pais e filhos, nas fases evolutivas do desenvolvimento. Podemos continuar pais de crianças que já cresceram, são adultas e independentes, mas não recebem nossa confirmação compatível.  Ou também, ter filhos adultos que ainda se mantém dependentes, por diversas dificuldades individuais e relacionais. No primeiro caso, permanecemos ligados a idéia de que os filhos precisam de nossas observações, para que sejam melhores, e podemos usar o tempo precioso da convivência, apontando falhas e fazendo correções constantes. No segundo, quando os filhos adultos apresentam dificuldade em crescer e se tornar independentes, podem surgir sentimentos de aprisionamento e impotência.

Esses dois exemplos mostram como a construção das relações familiares se faz de forma bastante complexa e delicada. Nem sempre podemos nos dar conta do que promove essas situações, nem tão pouco, ter consciência de que elas existem e fazem parte do funcionamento familiar. Não por ignorância, mas principalmente, por falta de um olhar que possa revelar outros pontos de vista, gerar novas informações e trazer discernimentos. É por isso que quando adotamos como recurso para entender o que se passa em nossa família, o movimento de ouvir pessoas que não fazem parte dela, podemos estar trazendo luz ao que está no escuro. É importante não nos esquecermos de que as famílias possuem desde muito antes do momento presente, uma história que vem sendo tecida por inúmeras gerações, que viveram em fases sociais diversas, e trouxeram consigo um amontoado de valores, de modelos de como viver, que fazem parte da teia familiar que vem sendo tecida a um longo período. Somos parte dessa teia, que constitui nosso arsenal para viver e também a tecemos, contribuindo para os herdeiros que já chegaram e para os que estão por vir. Que nossos movimentos sejam ricos em promover o acolhimento, o fortalecimento das relações, a alegria de viver e a certeza de que não se está sozinho. Se para isso, for preciso buscar ajuda, não vamos hesitar. Vamos nos arriscar por uma convivência melhor.
 
Terapeuta Angela Martins
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