Padrões se Transferem de Geração para Geração PDF Imprimir E-mail

Não há como negar que herdamos características de nossos pais e demais ancestrais, que são perceptíveis em nossa personalidade, nos traços físicos, no humor, na inteligência; enfim, são marcas familiares que estão em nosso DNA. É possível que sejamos tão autoritários, ou tão críticos, ou chatos; e o que é pior, sem ter consciência, porque nem sempre temos uma auto-percepção aguçada. Mas nossos filhos nos apontam essas situações facilmente, quando têm liberdade para se expressar.

 

 

E isso, de certa forma, é muito útil para nosso desempenho, quando desejamos agir diferente. Sempre que pudermos fazer uma checagem é importante: basta perguntar o que acham de nossas atitudes, de nossas idéias e aguardar. A criança que é espontânea acaba se declarando e nós podemos corrigir os equívocos de percurso. Por exemplo, pode ser que o filho responda “papai é bravo e mamãe é boazinha”. Esse contexto pode fazer os filhos crescerem com a distinção de que o pai não é uma pessoa acessível, e a mãe é. A partir desse feedback o casal pode conversar sobre a forma de exercerem seus papéis na educação, para que possam encontrar uma fórmula mais equilibrada de agir, na qual ambos tenham condições de exercer a autoridade com firmeza, sem que a mãe seja penalizada por não ser ouvida, ou o pai, por ser considerado nada acessível.

 

Outro resultado positivo dessa estratégia de estarmos sempre fazendo a checagem sobre o que nossos filhos pensam do que pensamos, ou de como agimos é que essa pergunta abre espaço para ampliarmos o olhar sobre nossas crenças, percebendo que nem tudo que aprendemos é necessariamente a melhor verdade. Muitas vezes, criamos uma fidelidade tão forte aos modelos familiares, e nos fechamos para o valor das demais hipóteses. “Foi assim com meu avô, com meu pai, comigo e porque tem que ser diferente com meu filho?” Uma resposta possível é que talvez esse filho tenha outras necessidades e vá ser mais feliz se respeitar a si mesmo. E é provável que possa respeitar mais a própria história familiar quando se sentir parte dela, embora se diferencie do padrão. A inclusão de novas formas individuais de pensar e viver a vida, também contribui para a família renovar suas referências e crescer.

 
Terapeuta Angela Martins
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