O Contrato Verbal Ajuda a Participação de Cada Um PDF Imprimir E-mail

Em toda convivência relacional, há uma série de normas que nem sempre estão explícitas, e por isso mesmo causam dissabores e aborrecimentos. Por exemplo, para um pai, o filho avisar que vai demorar, ou que está em determinado lugar se saiu da escola e não foi direto para casa é um acordo perfeitamente normal.

Se o filho falha nessa comunicação, fica com saldo devedor em sua contabilidade de confiança. Mas, para esse filho, não está em questão que o pai diga a que horas volta porque o que o pai diga qual faz de sua vida não é da responsabilidade do filho. Pelo menos essa deveria ser a regra geral no tocante a hierarquia familiar, embora muitos pais até precisem dessa retaguarda. O ponto aonde desejo chegar é que embora possamos pensar que o outro irá funcionar a partir de nossos parâmetros e princípios, se  não explicitarmos esse desejo podemos criar mal entendidos. E depois não adianta a gente dizer “eu pensei que essa questão estava clara entre nós”. Afinal, o que é óbvio em nosso pensamento, nem sempre está dito. E é justo comunicar ao outro.

 

Quando assumimos o casamento, por exemplo, não basta que fiquem expostos os maiores planos para essa união. Também tem um valor decisivo para o clima emocional, a colocação verbal que o casal faz sobre como cada parceiro contribuirá para a convivência a dois, nas questões mais simples, e também nas mais complexas. A questão financeira, a organização da casa, as compras e pagamentos do mês. Quem irá as reuniões escolares dos filhos, comprará os presentes, e limpará a sujeira do cachorro no quintal, são pormenores que merecem um esclarecimento para que se ponha os pingos nos is, e não sobrem expectativas quaisquer, tanto para as questões de princípios, como para os acordos mais práticos, referentes ao dia-a-dia. Com o passar do tempo essas informações merecem passar por uma revisão, porque podem ser alteradas. A maturidade do encontro conjugal vai proporcionando outras prioridades, e também a própria mudança individual dos parceiros vai pedindo novos acordos. O que não se pode esperar é que esse processo seja mágico. Conviver é, também, estar preparado para ajustes constantes, com muita flexibilidade.

 
Terapeuta Angela Martins
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