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Já comentei em outras ocasiões que acho o bom humor um ingrediente fundamental para estarmos em condições de viver relações mais felizes. E uma jovem de 15 anos, com quem estive conversando, afirmou algo muito sério sobre o que pode realmente manter o bom humor: “é a mantermos o coração de criança”.
Essa declaração me encantou, porque realmente as crianças vêm ao mundo com um coração puro e aberto para se integrar ao mundo, com toda espontaneidade e alegria. E nós adultos, muitas vezes enrijecemos esse coração, por sermos críticos demais. Precisamos ser mais assertivos, porque, queiramos ou não, essas relações primárias são realmente importantes para a felicidade do ser humano, embora não sejam a única porta para acessá-la. Mas, todos nós, em algum momento de nossas vidas, fazemos conexão com essas experiências vividas com nossos pais, sentindo conforto, desconforto, prazer ou desprazer. Há uma criança interior que mantém memórias e nos acompanha ao longo da vida, guiando nossos passos, hora nos protegendo daquilo que machuca, hora nos libertando para expressarmos nossos potenciais. Há situações, no entanto, em que essa criança amedrontada dentro de nós pode paralisar nossas ações. E isso nos torna infelizes, certamente. Portanto, se quisermos desenvolver essa qualidade de pais, auxiliando os filhos a manterem o coração aberto, também precisamos cultivar a abertura do nosso coração, entrando em contato com nossas emoções, com nossa espontaneidade. Significa cuidarmos da nossa alma, das nossas feridas para que possamos ficar mais disponíveis a acolher a alma de nossos filhos, na revelação de sua total autenticidade.
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