Indignação pode ser uma ferramenta PDF Imprimir E-mail

Chega uma hora que a relação entre pais e filhos pede muito mais do que amor e compreensão. Pede indignação. É quando, por razões quaisquer que possam justificar os atos, os filhos ultrapassam o limite suportado pelos pais, no tocante à dependência.

 

Ao invés de buscarem a autonomia, os filhos permanecem usufruindo as regalias oferecidas no lar dos pais, assumem atitudes de total liberdade e escolha, podendo ameaçar a tranqüilidade e gerar um sentimento de falta de respeito e parceria com a família. Esse cenário tem como um dos eixos geradores do problema, a dificuldade pela conquista da autonomia financeira e a disponibilidade dos pais em assumir REM o ônus que a sociedade gera, cuidando dos filhos até que eles assumam os próprios cuidados. Genericamente, no contexto das famílias de classe média e alta, hoje em dia, não está explícito no convívio familiar qual é o tempo limite para os filhos assumirem sua independência. Hoje, como casar não é mais o principal projeto de vida dos jovens, pois eles querem aproveitar a oportunidade de sair do país, viajar para fazer cursos no exterior, estar com os amigos, cultura que aprenderam nesta pós-modernidade, muitos deles não se incomodam de ir ficando na casa dos pais, para poderem realizar esses desejos, livres das incumbências que uma vida autônoma traria. Acaba ficando para mais tarde a necessidade de assimilarem a realidade dos fatos, sobre o custo que a vida traz no dia-a-dia. Pagar supermercado, conta de luz, telefone, auxiliar doméstica e tantas outras despesas, não constituem preocupações dos filhos. Já os pais, ficam oprimidos, porque embora sintam que já chegou a hora de se emanciparem  dos encargos dos provedores, não sabem o que fazer para conseguir que os filhos compreendam esse quadro e tomem  uma atitude madura. Ou seja, assumindo responsabilidades com as despesas, cuidando de que sua liberdade não invada a liberdade dos pais, entre outros pontos. Nessa hora, a indignação pode gerar o impulso positivo para mais um momento educativo na vida dos filhos. É quando os pais assumem as rédeas e ditam os limites, colocando as regras com clareza.

 

Não é necessária uma atitude extrema, como sabemos que ocorre, dos pais colocarem os filhos para fora de casa, porque a culpa pode vir a galope. Mas, demarcar as condições para o convívio com os filhos adultos, que continuam morando com os pais é uma ação pró-ativa necessária para esse ciclo da vida em família. O mesmo ocorre, quando um filho ou filha se separa e volta a viver com os pais, trazendo os filhos. Também nesse retorno, a conversa se faz necessária para que os acordos fiquem claros e todos possam participar, colaborar e perceber o outro. Aliás, perceber o outro não é privilégio de adulto, nem de pai. Tem muita criança mais perceptiva do que nós, não é mesmo? Assim, quando o tema é família, ouvir e falar abrem as portas para a renovação dos vínculos amorosos. Só é preciso um pouco de coragem e uma dose de amor por si mesmo e também pelo outro.

 
Terapeuta Angela Martins
falecom@terapeutaangelamartins.com.br
Rua Clodomiro Paschoal, 47 (Trav. da Barão de Tatuí)
Sorocaba-SP
(15) 3321-1399
(15) 9778-4494
Terapia Familiar em Sorocaba
by Idéia na Web - Marketing Digital