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Vocês já ouviram aquele carro da pamonha passando pelas ruas e gritando “Pamonhas, pamonhas, pamonhas”. O locutor anuncia toda a variedade e segue adiante seu caminho. Tenho vontade de usar esse refrão para dizer “famílias, famílias, famílias...”
todas elas com suas especiais características, buscando encontrar um ponto de equilíbrio, passando por dificuldades momentâneas ou permanentes, em sintonia ou em desajuste, mas com um universo de aspectos em comum: relações entre pessoas que se uniram para viver juntas, por amor ou por outros motivos; entre pais e filhos que se vêm envolvidos pelo desafio de se aceitarem e se respeitarem mutuamente; entre padrastos, madrastas e enteados, que também têm de aprender a se afeiçoar mais a pessoa, do que ao papel social que lhes foi atribuído nessa construção familiar; enfim, gente que todos os dias acorda para a vida, convivendo com outro ser humano da família, com toda ordem de necessidades, verdades, idéias, obrigações, desejos, que põem em movimento um turbilhão de fatos. Só de pensarmos que na união entre duas pessoas, unem-se a elas as histórias de suas famílias de origens, com seus valores, com seus conceitos e jeito de viver, que vão nortear cada passo dado por esse casal, no campo financeiro, afetivo, sexual, no lazer, nos projetos de vida a dois, e também no modo como fazem as compras de supermercado, ou cuidam da arrumação da casa, já temos nisso tudo um imenso universo de fatores que influenciam o bem-estar dessa relação. Por isso hoje, os jovens que logo ao se conhecerem decidem viver juntos, passam muito precocemente por um entendimento de que não vai dar certo a relação e de que é melhor separar. Não houve tempo hábil, antes de viverem juntos, para que fizessem um mínimo percurso para se conhecerem, e ajustarem quaisquer pontos sem sintonia. E quando a paixão já não se apresenta como antes, o que é natural nas etapas da construção do amor conjugal, surge o medo e a impotência como sinais de que o rompimento é a coisa mais certa a fazer. Fico feliz, no entanto, que alguns desses jovens casais têm buscado a terapia de casal antes de se separarem, como uma ajuda especial para tentarem preservar o que começaram a construir. Nem sempre houve amadurecimento suficiente para serem de fato um par, mas isto não está perceptível e é importante que possam entender que o tempo de convivência favorece esse caminho. Muitos desses jovens que têm filhos logo no início da vida a dois, se vêem com uma sobrecarga de responsabilidades para as quais são muito requisitados e com as quais não estão familiarizados, o que causa bastante influência na percepção do mundo ao redor, em especial na convivência amorosa. O mundo das obrigações na vida do jovem adulto ainda não se apresenta como parte tão expressiva, assim como já ocorre no universo adulto. Claro que há exceções, que são fruto da injustiça social, pela qual muito adolescente e jovem vem amadurecer precocemente. Mas, de modo geral, o que nossos filhos precisam aprender com nosso apoio carinhoso, é que o namoro é a forma de se viver a dois, com maior preservação do espaço individual de cada um. Caso não passem por esse estágio e logo decidam viver juntos, o que é muito mais comum hoje em dia, temos que ajudá-los a perseverar nos ajustes que essa convivência a dois exige, seja porque passarão a compartilhar o mesmo espaço todos os dias, ou porque constituirão uma organização nova que será a soma de suas individualidades, o que sabemos, é bastante complexo. Porém, “tudo vale a pena, quando a alma não é pequena”, como nos ensinou o poeta Fernando Pessoa.
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