Compreender o jeito de amar do outro PDF Imprimir E-mail

Esta semana andei pensando sobre a dificuldade que podemos ter em compreender o jeito de amar daqueles que nos amam verdadeiramente. Na relação pais e filhos, ou na relação conjugal, podemos ficar presos a padrões construídos sobre o que é amar, e esses nossos pontos de vista podem nos cegar para o que o outro tem a oferecer. Podemos viver anos querendo uma manifestação de amor "tipo x", enquanto o outro oferece um "tipo y", e não conseguirmos recebê-la carinhosamente.

 

Conhecemos famílias em que o afeto pouco é manifestado em abraços, beijos, ou declarações verbais amorosas, no entanto, percebe-se entre seus integrantes um amor que se apresenta disponível para o apoio em todas as horas.

 

Há outros grupos familiares em que por força do hábito e das tradições, permanentemente há reuniões festivas; toda semana, pais e filhos se encontram para almoços festivos de domingo, de forma que a presença constante cria elos de intimidade e amizade. No primeiro caso, se os membros dessas famílias ficarem presos ao entendimento de que falta troca de carinho, contato físico e de palavras afetivas, não estarão abertos a valorizar o elo maior que existe, que é um amor silencioso e tímido, mas verdadeiro.

 

No segundo caso, em famílias que têm contato constante, se os integrantes entenderem que perdem a autonomia e a liberdade nesse funcionamento familiar, podem ficar retidos no sentimento de opressão, desejar fazer parte de outra família com menor grau de proximidade, sem considerar esse convite constante à presença, como uma manifestação de amor.

 

Enfim, quando temos a disponibilidade para viver o amor, nas suas múltiplas formas de manifestação somos abençoados. Afinal, há tanta indiferença neste modelo socioeconômico de sociedade, que devemos nos sentir privilegiados quando nossas famílias superam as barreiras e vivem a amorosidade, de um jeito ou de outro. É nosso papel na família, ao invés de criticar, promover a valorização dos afetos; propor conversas construtivas para as mudanças necessárias; ter fé nas possibilidades de evolução das relações amorosas, e mais que tudo, ser um instrumento de transformação, usando todos os nossos potenciais para unir e fortalecer a convivência entre todos. Quase que como anjos mensageiros, que sempre anunciam a esperança.

 
Terapeuta Angela Martins
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