A Capacidade de se Colocar no Lugar do Outro PDF Imprimir E-mail

O Fantástico está tratando do tema familiar oferecendo uma possibilidade de mudanças para as famílias convidadas, no tocante a comportamentos que são considerados inadequados. E no último domingo a filha do casal em questão, depois de passar por uma experiência a frente da cozinha, declarou que não tinha idéia como era trabalhosa a vida de sua mãe como dona de casa. Possivelmente ela será uma defensora da mãe ao invés de fazer críticas, daqui pra frente.

 

 

Essa reflexão demonstra como nos colocarmos no lugar do outro é especialmente saudável para entendermos o que vive a outra pessoa, que a gente nem sempre compreende. No papel de pais, se pudermos instituir essa aventura para nossos filhos, dentro e fora de casa, estaremos contribuindo para que se tornem solidários e compreensíveis. Os preconceitos criados pelos modelos sociais, só se dissolvem à medida que podemos experienciar estar no lugar do outro. E muitas vezes, eles apenas estão a serviço de manter uma ordem desejada, que nem sempre é justa. Isso está posto em questão pela TV na história da Índia com os "dalits" na base da pirâmide social. Então, um mendigo, um alcoólatra, uma auxiliar doméstica, uma criança de rua que são rejeitados, são dignos de respeito, independente de suas limitações ou condições sociais. Mas se não apresentarmos essa forma de ver a realidade aos nossos filhos, é provável que eles também os estranhem, por receio, por não compreender porque vivem assim. Mas se eles se perguntarem : "por que ele e não eu que vive essa circunstância?", talvez isso possa ajudá-los a perceber que essa zona de conforto é um privilégio e que o outro não merece ser exposto a qualquer humilhação.

 

Ou seja, aprender com os pais, com os avós, com a família, valores que permitem maior equilíbrio no trato social e também humanitário está cada vez mais imprescindível diante das condições tão adversas de indiferença afetiva que o sistema sócio-econômico está gerando na convivência humana.
Para fazermos nossa parte, temos também que nos colocarmos no lugar do outro, seja ele nosso marido, nossa esposa, nosso enteado, a nora, o  padrasto, ou o filho adotivo. Cada qual tem sua história a partir de onde cultiva suas ações. Que nosso possa ser dócil e compreensivo, para não julgar, mas estimular o bom, ao invés de realçar o mal.

 

Aí sim, qualquer mudança que se deseje pode ser feita a partir dessa direção.

 
Terapeuta Angela Martins
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