O que mantém um casamento? PDF Imprimir E-mail

As estatísticas apontam que no Brasil, um em cada seis casamentos termina em divórcio. É um dado significativo que nos aponta a capacidade do brasileiro em fazer dar certo sua união conjugal. E o que faz dar certo um casamento? As variáveis são inúmeras, e temos que considerar que cada par conjugal tem suas próprias características e necessidades para viver junto. Regras que atendam todo tipo de casal não existem.Até mesmo porque quando um casal assume seu relacionamento, carrega na bagagem suas histórias individuais, baseadas nas experiências do convívio com a família de origem de cada um, e também do ambiente social ao qual estiveram ligados. Não se pode criar um manual de regras para tanta diversidade existente nessas experiências de vida.

O que podemos considerar é que o enlace dessas histórias significa a junção de valores de vida, de objetivos a serem realizados, que encontram no “viver a dois” um novo espaço de oportunidades. Nesse espaço, as histórias individuais continuam  a se desenvolver, agregando-se a elas os novos conteúdos construídos no âmbito da união. Um dos  exercícios que todos nós acabamos por ter de realizar quando nos casamos é dançar, do universo individual para o conjugal, e vice-versa, pois somos indivíduos e também casal. Há aspectos que precisarão ser negociados, e os sinais do que merecerá essa atenção surgirá no dia-a-dia, para o casal poder estabelecer acordos, que também serão positivos para um novo aprendizado sobre conciliação.

 

O casal que estiver mais aberto ao diálogo, com menor expectativa de que tudo funcione perfeitamente, reduzirá o sofrimento das brigas, e encontrará soluções positivas. É valioso quando os casais jovens foram instruídos pelos adultos a exercerem a liberdade para falar ao parceiro de seus sentimentos; e também de serem abertos para ouvir o que o outro diz. Tarefa das mais difíceis, porque nem sempre fomos habituados a conhecer nossos sentimentos, a ter uma autocrítica e a ser autênticos, expondo nossos limites e dificuldades.

 

Tendemos a criticar, a ter uma visão parcial dos fatos, com uma falta de prática para estabelecer pontes de comunicação. Contudo, é possível desenvolver esse aprendizado e crescer muito na vida conjugal com essa ferramenta. Aos poucos, questões que ocupavam tanto tempo perdido do casal, passam a ser cuidadas de forma clara, honesta e afetiva. E o amor amadurece e se preserva viçoso por mais tempo. Creio que a comunicação positiva é um especial elemento para os casamentos perdurarem.

 

Essa comunicação, que pode ser gerada pelo olhar atento, pelo silêncio respeitoso, pelo respeito ao dizer e ao ouvir, e também, pela exposição das angústias, das tristezas, ou da impotência que todos sentimos quando há um descompasso na relação, tem a qualidade de aproximar aqueles que se amam. As almas se mantém ligadas por mais tempo.

 
Terapeuta Angela Martins
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