O Lugar da Vítima PDF Imprimir E-mail

Esta semana compartilhei histórias e participei de situações em que a condição do ser humano na posição de vítima esteve presente. Vítima da mentira, da violência, da fofoca, do medo, da crítica... E caso a gente pergunte se alguém nunca se viu nesse lugar é pouco provável que encontremos um manifestante. Bem como, se dissermos que nunca vitimamos alguém com nossas palavras ou atitudes.

 

Nas famílias, os cenários da vitimização podem ser muito perversos, quando algum membro frágil é submetido ao poder de outro mais forte. Aliás, a violência intra-familiar é sempre foco de atenção das autoridades.
Mas há também outras formas brandas, nem por isso, menos violentas, de alguém se tornar vítima, como a penalidade que os fortes acabam vivendo, sendo pouco vistos, por serem considerados capazes e bem resolvidos. Podem ser vítimas quando os pais fixam sua atenção totalmente nos mais frágeis.

 

Em situações em que a família vive com uma doença crônica de um dos seus integrantes, é natural que as atenções se voltem totalmente para quem está doente, mas todos podem se ver vítimas dessa mesma doença, que quase obriga a vida familiar a voltar-se para o objetivo da cura. Sem perceber, outros podem adoecer se não buscarem cuidados. Casais cujos filhos são vítimas das drogas, por exemplo, também se tornam vítimas do medo, da culpa, da desperança, e também da raiva. A relação conjugal pode ser vitimada, em conseqüência.

 

Nas relações entre irmãos, é clássica a história de que o mais velho se torna alvo das críticas e é tratado sem compaixão, enquanto o mais novo é sempre bonzinho e merecedor de mais cuidados. Quantos de nós não  se viram nesse lugar um dia.

 

Ainda temos a condição familiar na qual a afinidade entre pais e filhos é promotora da aproximação incondicional destes, em detrimento dos demais que acabam por não gozar das mesmas regalias e atenções. Sem contar, que essa mesma afinidade é capaz de ligar os filhos à mãe e mantê-los distantes do pai, por exemplo. E neste caso, em algumas histórias, a aliança que se cria entre os pares que se afinam, é capaz de tornar o outro uma vítima da indiferença ou da exclusão.

 

No cenário social esse enredo também é comum. Mas talvez a pior condição de vítimas em que acabamos por estar é aquela criada por nós mesmos, como uma forma de proteção para não entrarmos em contato com nossos limites, com nossos fantasmas, por medo, por vergonha, ou por qualquer outra razão. Nessa condição, o mundo está sempre contra nós. Assim, não avaliamos nossos atos, não fazemos um caminho de autoconhecimento e não conseguimos crescer interiormente. Resultado: podemos perder muito tempo da vida paralisados e impotentes. Vale à pena tentar mudar em prol de nós mesmos e daqueles com quem convivemos .

 
Terapeuta Angela Martins
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