Convivência conjugal, uma experiência para crescimento mútuo. PDF Imprimir E-mail

A condição de ficar livre do casamento, caso ele não esteja mais atendendo as expectativas do casal, é vista por alguns como uma variável que favorece a união conjugal, já que atualmente a dissolução do casamento é uma alternativa muito mais comum, do que antigamente. Curiosamente, li uma notícia de jornal,  de que uma doceria inglesa vem atraindo muitos consumidores fazendo bolos decorados, especialmente para festas de divórcio. Pois é, tem gente comemorando o fim do casamento, considerando esse momento como uma fase positiva, por estar se libertando de situações desconfortáveis, que até então traziam sentimentos pouco satisfatórios, de impotência, tristeza e completo desajuste na parceria com a pessoa escolhida para viver a vida a dois. É possível que a mudança de costumes, que introduziu em nossa cultura uma maior aceitação das separações e dos recasamentos,  deixe as novas gerações mais frágeis para a convivência conjugal, no que diz respeito ao amadurecimento para viver uma vida a dois. Se num primeiro movimento de desentendimento, o casal encontra a separação como saída para resolver o conflito, seguramente não terão contato com as possibilidades de equalizar suas diferenças por meio da conciliação.  Não podemos desconsiderar que o casamento, especialmente no formato onde as pessoas se juntam para conviver em um mesmo espaço físico é uma experiência ímpar para crescermos a partir das nossas diferenças. Afinal vamos compartilhar nossas necessidades, nossos valores, e buscar construir uma relação a dois, tentando preservar a individualidade. Nesse processo é por meio do que o outro nos oferece e do que oferecemos ao outro, que vamos enriquecendo nosso modo de viver a vida, podendo descobrir uma infinidade de verdades, além daquelas com as quais começamos a relação conjugal. O casamento assim visto, é uma oportunidade riquíssima para amadurecermos. Mas nem sempre oferece espaço amoroso capaz de mediar essa caminhada difícil e, às vezes, dolorosa. Por isso, os rompimentos surgem como mecanismo de proteção e de libertação das duras provas que somos sujeitos a enfrentar.   Quem se separa, pode  sentir culpa, fracasso, tristeza, raiva, ou indiferença, entre outros sentimentos,  até se ajustar a uma nova realidade vivencial. O que precisamos tentar obter com essa mudança, é maior maturidade para os novos relacionamentos; e sobretudo, a preservação saudável, da relação com nossos filhos, gerados na união que acabou. Eles merecem essa lealdade.
 
Terapeuta Angela Martins
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