Mulheres e Vinganças PDF Imprimir E-mail

Entrevista com Angela Martins, para o Jornal Ipanema-Sorocaba (25/06/09)

- Estudo revela que mulheres são mais vingativas do que os homens. É isso mesmo?

Não há como contestar pesquisas de amostragem, mas generalizar é um grande perigo, porque criamos rótulos, e quando se trata de qualificações pejorativas o preconceito se instala e é péssimo. Prefiro dizer que esta pesquisa X, com o grupo X, na comunidade X, com características X e história X resultou nesses dados. E creio que posso contribuir com esse debate, sugerindo que devemos olhar também para os contextos que determinam os nossos comportamentos. Se o contexto familiar e social são  promotores de reações masculinas ou femininas, deste ou daquele tipo, não há possibilidade alguma de fazer valer uma premissa que sirva para todas as mulheres e homens. Portanto, generalizar é perigoso.

Creio, contudo, que historicamente os homens e as mulheres foram se encaminhando na história para constituir um rol de valores que se expressam na diferença de gêneros, ou seja nas diferenças do que foi aprendido. Mas há homens que têm atitudes mais sensíveis e mulheres bastante rígidas. Ou seja, independente da natureza, da biologia, a constituição de nossa personalidade também inclui o modo como interagimos com as informações que o mundo nos traz, nas experiências vividas.

- O estudo diz que enquanto os homens, num acesso de fúria, partem mais facilmente para a reação física, a maioria das mulheres tende a expressar sua mágoa com o que se chama de agressão de baixa intensidade - que inclui atitudes de desprezo, fofocas e planos de vingança. Como a senhora avalia essa diferença de comportamento entre os gêneros?

Avalio como um ponto rico sobre diferenças que merecem um olhar cuidadoso, para não tendermos a fazer julgamento de valor sobre o que é certo ou errado. Mas sim, para consideramos que entre homens e mulheres, essas possíveis diferenças de comportamento podem desfavorecer o entendimento sobre o outro. Assim, a mulher que avalia o homem a partir de como ela reage aos fatos, pode sofrer por não compreender o jeito de ser dos homens com quem convive na família, no trabalho. Da mesma forma, os homens que esperam reações masculinas de suas mulheres, podem viver muito frustrados, desvalorizar como atuam e exigir o que elas não podem oferecer.

- É possível dizer que as mulheres respondem de uma maneira mais elaborada em determinados casos, isto é, elas criam estratégias – mais sofisticadas para atingir a pessoa, o desafeto, diante de uma decepção, de uma frustração, e sobretudo de uma traição

Mais uma vez, não gosto de generalizar. Prefiro considerar que o ser humano nasce com capacidades infinitas para defender-se, ser criativo ou estrategista, organizar-se na convivência grupal, entre tantos outros aspectos, e que age por meio do que aprendeu em seu meio. Há talentos femininos e masculinos, ligados a esse aprendizado. Se você é de uma família na qual os homens morreram cedo, encontrará mulheres guerreiras. E nessas famílias de mulheres guerreiras poderá encontrar homens mais dependentes e sem tanta iniciativa. Não dá para tornar isso uma regra geral, mas é um exemplo.

 

 
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