Construir vínculos demanda tempo
Esta semana li um artigo sobre os paradoxos de nossa época, que demonstra como o ser humano é incoerente ao produzir tanto conhecimento e não usá-lo em seu próprio benefício, melhorando sua qualidade de vida. E um dos itens lá apresentados era nossa incompetência para gerenciar o tempo a nosso favor. Ganhamos em tecnologia de ponta, mas nem assim, fomos capazes de destinar maior tempo para a convivência em família, ou entre amigos.

Salvo as exceções, a maioria de nós está tão ocupada em ser produtiva, que o tempo livre desaparece da nossa agenda com a maior facilidade.
Mas há uma coisa que não seria bom perdermos de vista, que é a construção dos vínculos familiares e de amizades.

Estes dependem de nosso empenho, tanto quanto nos dedicamos às demais prioridades como o trabalho ou o aperfeiçoamento profissional.  Se não sobra energia para investir nos relacionamentos com as pessoas que amamos, aí há um paradoxo, afinal o ser humano é por natureza um ser que necessita das relações. E quando já estivermos mais velhos, o que contará significativamente será o calor humano daqueles que nos querem bem e para quem temos valor. E na escala de proximidade, será natural que os filhos sejam nossas futuras companhias. Contudo, a construção dos vínculos que vão fortalecer a proximidade futura, se dá especialmente na infância, seguindo pela meninice. Ou seja, até os nove, ou dez anos, período em que as crianças sentem muito prazer em brincar com os pais. Nessa etapa da vida familiar, é significativo que façamos planos para reservar tempo de convívio com nossos filhos, de forma que eles se sintam valorizados. Essa atitude fará com que também possam nos valorizar no futuro, num tempo em que estarão atribulados e com uma vida complexa, certamente. Nesse momento, os bons registros afetivos que tiveram no início da vida, contarão bastante para a disponibilidade de dedicarem parte de seu tempo a estarem conosco. Não se trata, no entanto, de agirmos por conveniência, de forma alguma. Mas sim, de gerarmos a disponibilidade amorosa entre as gerações, de maneira que uma  passe à outra, a vontade de manter os laços afetivos ativados, a ponto desse aspecto se tornar um valor permanente, e uma herança constante para a humanidade.


 
Terapeuta Angela Martins
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